quarta-feira, 28 de julho de 2010

Saudade demais



Domingo à noite. Os últimos pingos de chuva caindo na janela. Um sentimento em comum: saudade. Daquilo que vem, daquilo que vai. Daquilo que vem do que vai. Estamos fadados a isso e, ainda assim, sorrindo. A saudade dói, mas se pararmos para pensar, anestesia. Porque senti-la nos obriga a buscar as lembranças de pessoas que nos fizeram felizes. E por mais que fira, cura. O sentimento mais presente nas poesias e canções. É obrigatória no amor. Tentamos matá-la, mesmo que temporariamente, longe ou perto de quem sentimos saudade. Relemos cartas, revemos fotos, reviramos a memória. Fechamos os olhos e ao mesmo tempo abrimos um sorriso sem mostrar os dentes, o que condena estarmos sentindo a desesperada necessidade de puxar aquela pessoa do nosso pensamento para junto de nós. Além de tudo isso, é um sentimento completamente próprio da língua portuguesa. Os ingleses sentem falta. Nós sentimos saudade. E existe uma grande diferença (mesmo que paradoxalmente possa ser uma linha tênue, em determinados casos) entre “I miss you” e “eu sinto saudade”. Saudade é medo, amor, distância, ontem, a música que você ouviu hoje, o beijo que você não deu, o amor que você recusou, o momento que você desperdiçou, a mão que você pegou, a ajuda que deu, o jardim que regou, o texto que você acabou de ler, a pessoa de quem você acabou de lembrar, a cama desarrumada em um domingo chuvoso à noite. Tipo agora.

Do "Depois dos Quinze" tambéeeeem *u*

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Sim, sou apaixonada por esse site D:

Mãos dadas

                                 Ele disse que era para sempre, você quase acreditou.

Vocês começaram ao contrário, e eram diferente de qualquer outro casal que conheciam. Brigavam às vezes, por motivos que agora te parecem idiotas e odiavam andar de mãos dadas. Demonstravam todo o  amor de maneira invisível, de maneira que só os dois entendiam. Isso era o bastante. Mas em algum momento, no qual você não percebeu, deixou de ser. E a falta de algo que não te faltava o fez faltar.  Amor? Ausente. Angústia? Presente, para sempre – ou quase.
Vocês se entendiam, e de repente, ele passou a querer entender o resto do mundo – sociologia nunca foi a matéria preferida dele, você sempre soube disso.
Enquanto ele se aventurava em curvas perigosas – você sabe do que estou falando, e principalmente, do quando elas podem machucar – você continuava no acostamento. Pedindo carona em algum carro – qualquer carro, mas no fundo sei que o que você realmente esperou por todo aquele tempo, foi uma ambulância. Você queria que ele se machucasse, você queria cura-lo.

Dentro de você ainda existia uma sensação de quase fim, com quase começo. E independente do quanto o cara que você conhecesse fosse incrível, ele não odiaria andar de mãos dadas.

Ele mandaria flores rosas – você odeia flores rosas.
Ele escreveria poemas  - você odeia rimas mal feitas.
Ele choraria por você – você é quem costumava fazer isso.

Agora você esta decidida: Cansou de pedir carona e parar sempre na próxima esquina. Vai caminhar com seus próprios pés, um passo de cada vez e observando toda a paisagem do caminho.

Sem mãos dadas.

Com flores de todos os tipos e cores no campo.
E claro, sempre implicando com a natureza por motivos bobos – por aí não faz tanto calor assim.

Percebe que sozinha, você conseguiu exatamente o queria?


Do "Depois dos Quinze" também *--*

Nana



"Ei, Ren... você me disse, que na hora da morte, levaríamos um ao outro...

...Eu não queria ter sido deixada para trás!"

                           

             /Nana vol. 20 *------*

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ela e somente ela...




Infeliz seja daquele que fez com que acreditassemos que pra que existam reencontros, deveriam antes, haver despedidas. Infeliz seja quem não acredita, até mesmo nos dias de hoje, que possa sim, existir algo tão forte, que nos fizesse chegar ao ponto de precisar que nossos olhares se cruzassem diariamente. Era só assim que eu me sentia bem, era só assim que eu me sentia 'completa'. Meus dias são tãaaao vazios sem você me fazendo rir, ou me deixando encantada com teu jeito, que as vezes me perco pelos corredores imensos e tão lotados daquela escola. Era tudo tão perfeito... como ainda é quando meus dias se fazem ao teu lado! E eu te prometo, um dia, vai voltar a ser...

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MINHAmari s22 *-*

quarta-feira, 21 de julho de 2010

#Confissões - Difícil de se manter, difícil de se esquecer...

Às vezes, me pergunto se tudo aquilo que me parecia, antes, tão real, tão agora, é realmente assim na realidade, fora desse mundo que criei pra me proteger.
Às vezes, você me parece tão verdadeiro da mesma forma que as vezes me assusta e me parece muito distante, em alguma outra galáxia, na qual eu não conseguiria alcançar, pois ela se rodeia dos chamados 'obstáculos', os quais não sei se tenho forças pra enfrentar.
Às vezes, me questiono se isso tudo é mesmo necessário, se não existe um jeito mais fácil de fazer com que tudo se encaixe e que nossas vidas prossigam normalmente, porque eu me sinto tão cansada dessa nossa violência desnecessária, e você já não nota, mas meu amor, mais uma gota de sangue seria só outro golpe.

Não consigo prosseguir.

A Parede

Sempre tive um pouco de receio de me aproximar de tudo que é muito... Mas muito... Bonito...
Daquelas coisas que, quando olhamos, imediatamente passamos a considerar que deve... Ou melhor... "Tem"... Que existir uma "força maior"... Deus ou o Diabo... Buda, Alah ou Maomé... Ou até mesmo a grande abóbora... Que seja responsável por algo tão devastadoramente bom de se olhar... De se admirar...
E sempre achei que ter algo realmente "belo" nas mãos... Possuir algo assim tão maravilhoso... Algo que todos em volta também achem belo... Também queiram olhar... Tocar... Roubar... Deveria ser muito difícil... E realmente é...
Difícil de se manter... Difícil de se igualar... Difícil de se esquecer... Ou de deixar pra lá... Difícil de se sentir à altura... Ou de corresponder... Difícil de se conformar com a possibilidade de, um dia, deixar de ter...

Mas e quando a tal beleza passar... Ou diminuir...
E quando o tempo bater à porta e quiser entrar...
Será que o que há por dentro vai ser capaz de suprir...
Será que o que há por dentro vai ser capaz sustentar...

Eu amo coisas antigas... Ruínas... Paredes descascadas... Folhas secas... Sempre amei...
Mas uma parede não tem alma (não que eu saiba)...
As paredes não falam (quando muito elas tem ouvidos)...
Uma parede não sente quando colocamos um prego nela (pelo menos eu nunca ouvi nenhum grito)...
E obviamente... Uma parede não mente... (Quando muito elas machucam... Se uma parede cair em cima de mim... Certamente vai acabar comigo)...

Hoje eu queria ser uma parede bem antiga e descascada...
Em uma casa que um dia foi bonita mas que hoje está abandonada...
E ali ficar assim... Por muito tempo... Parada...
Sem fazer mal a ninguém... Sem nenhum quadro para contar uma história... Sem nada...
Sem janelas para deixar alguém olhar... Nem uma porta para alguém entrar aqui...
Sem um teto para sustentar... Nem motivo algum que justifique ela existir...

Mas como eu não sou uma parede...
Eu sou bem fácil de se derrubar...
Basta só um sopro...
Basta apenas um olhar...

Autor: Cantor, escritor, e um cara magnifíco, Libra

terça-feira, 13 de julho de 2010

Maybe




"Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."


Caio Fernando Abreu, como sempre *-*